A falta de sentido da vida humana: “Correr ou morrer #1” | EU LI #40


Eu sou o tipo de pessoa esquisita que não gosta muito de assistir filmes ou séries. A onda Netflix não me pegou ainda [rs]. Raramente vou no cinema também, mas por incrível que pareça ou não fui na estreía de Maze Runner #1 lá em 2014...

Aquele filme - ou aquele final de filme - me deixou curiosa por conhecer a série de livros em que a adaptação foi baseada, escrita pelo americano James Dashner. Desde então guardei em algum lugar da memória essa referência para ler um dia.

Bem, li agora em 2017.

SINOPSE SKOOB
Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho.Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar - chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.

IMPRESSÕES
Digamos que o gênero mais próximo a classificar essa série seria "ficção científica distópica para jovens adultos", que não leio muito por isso não vou me ater aos pormenores. Em aspecto geral, como ponto positivo destaco a escrita rápida e fluída do autor; os capítulos bem curtos segurando um suspense que vai até o final. É uma ótima indicação para quem quer incentivar adolescentes ao hábito da leitura ou mesmo para adultos que estão procurando livros com essa mesma intenção.

Porém como pontos negativos devo dizer que a construção dos personagens é bem superficial e que a história apesar de boa não é nada excepcional. Minhas impressões ao terminar a leitura lá no skoob foram: "Superficial; história cheia de furos; personagens desinteressantes. Só entretenimento mesmo..."

Essa é a primeira camada da leitura.

COMAMOS E BEBAMOS PORQUE AMANHÃ MORREREMOS?
Uma segunda camada são as reflexões sugeridas pelo autor. Nada menos ele levanta as antigas perguntas da filosofia:

De onde viemos?
Onde estamos?
Para onde vamos?

Ele traz a tona, a realidade de que, não importa em qual lugar do mundo o homem esteja, e nem quem ele é, as perguntas latentes em sua alma serão as mesmas.

Na ficção de James Dashner, Thomas e outros jovens acordam em um lugar - a Clareira - quase perfeito. Lá nunca chove, nunca faz frio ou calor demais. Eles tem todo o suprimento que precisam, alimento, água, roupas, lugar pra dormir... atividades diárias para fazer e a companhia uns dos outros.

Dentro da Clareira a segurança é total; envolta dela no Labirinto, a morte os espreita. Mas é para lá que eles vão todos os dias; todos os seus esforços são dedicados a decifrar aquele labirinto e sair dali, porque eles não podem conviver com a ideia de estar ali sem saber o propósito disso ou o que virá depois.

O enredo se desenrola e alguns daqueles jovens, descobrem que o mundo criado pelo autor dalém da Clareira é ruína e morte. As reações então, variam entre lutar para não deixarem aquele lugar "perfeito" ou mesmo desistir da vida... 

- Eles ficam transformados porque querem voltar para a vida anterior ou porque se sentem deprimidos ao perceber que a outra vida não era melhor do que a que temos hoje? [1]

Achei essas sutis reflexões que o livro traz bem interessantes, ainda mais em meio ao mundo atual que grita todos os dias que a vida humana não tem sentido...

E seguindo o fio da meada, chegaremos ao ponto principal dos que querem negar que a vida humana tem um propósito. A negação da existência de Deus, que pode ser direta: "Deus não existe!" Ou indireta quando Deus e sua Palavra são excluídos do casamento, da criação dos filhos, do trabalho, dos lares, da sociedade.

Mas sem aprofundar nesse assunto para não prolongar muito o post, a maior implicação disso é o óbvio e na verdade, o que eles insistem em afirmar: Se Deus não existe, nada faz sentido.

Porém o que se perde de vista é se Ele existe, tudo ganha sentido!

“Que criatura pode existir que não exija tua existência?" [2]

Podemos viver como quisermos, correr e morrer pela realização dos nossos desejos/sonhos; mas nada disso conferirá sentido algum a nossas vidas. A dor da falta de sentido da própria existência continuará lá, torturante e contínua... 

De onde viemos?
Onde estamos?
Para onde vamos?

Essas perguntas exigem uma resposta, Deus é a resposta! A silenciosa resposta cravada na consciência de cada um de nós: Um Criador de todas as coisas, um Ser que fez e dá propósito a tudo.

"Tú nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criastes para ti, e o nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti." [3]

FINALIZANDO...
Essa segunda camada me valeu a leitura da obra, achei interessante; uma percepção que não tive assistindo ao filme. O que me anima inclusive para continuar lendo os próximos livros da série; vamos ver.

Leia mais^^ 

***

+ Info: Correr ou Morrer #1, de James Dashner / São Paulo: V&R Editoras, 2010 / 426 páginas

Classificação: ★★★★★
Grau de dificuldade: FÁCIL

+ Referências
[1] Citação do livro tema do post
[2] [3] Agostinho de Hipona, em Confissões






2 comentários:

  1. Olá Kelly. A percepção que tivestes sobre Maze Runner me fez lembrar bastante as reflexões postas por Stephen King no livro "A Longa Marcha". Na resenha em que trato sobre esse livro, discuti um pouco a comparação entre o enredo e a própria vida. Recomendo dares uma olhadinha lá no blog ;)

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    Respostas
    1. Olá moço, obrigada por comentar.

      Vou lá ler sim.

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