EU LI #45 | O castelo animado, de Diana Wynne Jones


Como comentei no último post de atualizações, de vez em quando eu paro tudo e pego um livro infanto-juvenil. A experiência é muito boa! Principalmente depois da leitura de algum livro denso.

A minha última escolha desse tipo foi "O castelo animado, de Diana Wynne Jones" uma indicação antiga do canal no YouTube da Eduarda Sampaio.

É um livro de fantasia, um conto de fadas meio ao avesso. Conta a história de Sophie Hatter a mais velha de três irmãs, que após a morte do pai fica confinada ao trabalho na chapelaria da família. Um dia sem mais nem menos a chamada Bruxa das Terras Desoladas aparece e a transforma numa velha.

- Não se preocupe, sua velha - disse Sophie para o rosto - Você parece ter bastante saúde.

A partir daí essa "jovem velha" inicia uma jornada que a leva direto para o fantástico castelo de Holw, onde a grande aventura começa!


DIANA WYNNE JONES
Diana, nasceu em 1934 em Londres, Inglaterra; e morreu em 2011. Escreveu livros no gênero fantasia para crianças e adultos e alguns livros de não ficção. Cursou inglês na Universidade de Oxford, onde teve aulas com C.S.Lewis e J.R.R.Tolkien. A sua obra total soma mais de 40 livros, porém a maioria ainda não foi traduzida para o português.

IMPRESSÕES
Achei a história encantadora, bem escrita e principalmente inteligente. A autora não subestimou a capacidade do público infantil de entender uma história engenhosa. O resultado é um trabalho brilhante, que atrai até os adultos.

Um ponto bem interessante, é o humor criativo da autora. Em vários momentos em meio a uma situação séria ou triste aparece nos diálogos ou em um comentário do narrador - que é onisciente em terceira pessoa - uma ironia leve. Chamo de humor criativo, pois muda totalmente o ponto de vista do leitor sobre aquela cena que deveria ser dramática, mas que acaba passando um aprendizado engraçado - lembrou-me inclusive, do jogo do contente da menina Pollyanna, no clássico de Eleanor H. Porter.

Já destaquei um desses momentos acima, que é quando Sophie se olha no espelho e percebe que está velha, ao invés de entrar em desespero ela se alegra de ter saúde. Veja outros:

Lia muito e logo se deu conta de que tinha pouca chance de um futuro interessante. Para ela isso foi uma decepção, mas mesmo assim continuou feliz, cuidando das irmãs e preparando...

- Eu nunca tinha me dado conta do que as pessoas idosas têm de suportar! - ofegou, subindo a estrada com dificuldade. - Mas não acredito que um lobo vá me comer. Eu devo estar muito seca e dura. Isso já é um conforto.

Levando-se em consideração o público alvo da obra (infanto-juvenil), um ponto negativo talvez, seria a personificação do mal em figuras de bruxas e magos muito presente, porém analisando o contexto geral do enredo, creio ser esta de caráter imaginativo como em "Crônicas de Nárnia de C.S.Lewis", e não apelativo. Todavia, é importante citar que "O castelo animado" inspirou uma famosa animação japonesa dirigida por Hayao Miyazaki em 2004 (a origem das imagens desse post). Que não assisti, mas ouvi comentários que apesar de boa, não é uma adaptação fiel ao livro, e pelo trailer tive a impressão que a personificação do mal ali foi mais além.

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+ Info: O castelo animado, de Diana Wynne Jones (1934-2011) / Primeira publicação em 1986 / 318 páginas / Primeiro livro de uma série seguido pelos títulos O Castelo no Ar (Castle in the Air, 1990) e a A Casa dos Muitos Caminhos (The House of Many Ways, 2008).

Classificação: ★★★★★
Gênero: Fantasia infanto-juvenil
Grau de dificuldade: FÁCIL


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Kelly Oliveira B. Criou o Café&bonsLivros em 2014; Cristã protestante, 28 anos, mora em BH, Contadora. - Uma simples leitora que segue sempre o sábio conselho de Spurgeon: "...visite muitos livros bons, mas viva na Bíblia" ;)




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