MULHERES PIEDOSAS | Susana Wesley (1669 - 1742)

Olá! Com esse post dou inicio a uma nova coluna aqui no Blog, que chamarei de MULHERES PIEDOSAS. Essa coluna será dedicada a história de mulheres que viveram uma vida piedosa, e como "piedade" entendo a devoção a Deus e a compaixão ao próximo. Para esse primeiro post trago uma pequena fração da vida de Susana Wesley, que foi sem dúvida minha inspiração para iniciar esse trabalho. Vamos lá?


Susana Wesley (1669 - 1742) é conhecida ainda em nossos dias por ter sido a mãe de João Wesley e Carlos Wesley, pais do Metodismo. É atribuído ao esforço direto e assíduo dessa mulher cristã o caráter de seus filhos. Com a máxima razão é dito que Susana foi a mãe, não somente dos Wesleys, como também do próprio Metodismo. Era filha de Mary White e do Dr. Annesley, um dos teólogos de maior distinção entre os puritanos. Dotada de admirável inteligência, recebeu uma educação sólida e abrangente, que incluía o conhecimento de idiomas, filosofia, teologia e muitas questões eclesiásticas.

Ela foi uma das mulheres mais ilustres da Reforma do século XVIII quanto à cultura e à piedade, não podendo é claro ser indiferente a algum aspecto da educação intelectual dos filhos. Nela reunia-se o espírito progressista que caracterizava uma inteligência esclarecida, com o firme bom senso de um temperamento bem equilibrado. De modo contrário àquilo que frequentemente acontece entre as mulheres, o cultivo e o aperfeiçoamento do seu entendimento não impediu em nada a formação de suas afeições nobres. Por mais que essa senhora tenha se sobressaído por seus dotes intelectuais o certo é que ela se distinguiu ainda mais nos seus relacionamentos como esposa e mãe. Seu coração amoroso sentia profundamente os contratempos e as tribulações do marido. Porém tirava de dentro de sua grande força de vontade a energia necessária para enfrentá-los com heroísmo e infundir ao cônjuge a mesma fortaleza de ânimo. Mãe de dezenove filhos, possuía todas as virtudes próprias para a maternidade, e assumia sobre si todos os fardos que acompanham esse ministério. O amor aos seus filhos não se parecia em nada com essa espécie de culto egoísta que muitos pais professam; ela os considerava plantas tenras cheias de esperança, que cultivaria com fidelidade e zelo. E quando vinha a morte, em vez de ela colher os frutos daquele campo dos seus carinhos, inclinava-se diante da vontade de Deus e mostrava-se ainda mais forte em meio aos seus grandes pesares do que nos dias em que tudo ia bem.

Sob o humilde telhado da casa pastoral em Epworth, a vida familiar tinha um aspecto encantador e austero ao mesmo tempo. A instrução primária e a criação dos filhos eram levadas a efeito debaixo da fiel orientação dessa mãe piedosa. Susana Wesley dedicava-se muito bem, com efeito, para não deixar ao léu da sorte a orientação dos seus doze ou treze filhos que sobreviveram às enfermidades da infância. Os filhos eram submissos, desde os primeiros anos, a uma disciplina rigorosa. Os horários de comer e dormir eram determinados de um modo invariável, e os recém-nascidos tinham de sujeitar-se ao mesmo regime inflexível. Desde a idade bem tenra, adquiriam hábitos de quietude e tranquilidade que são raros nas famílias de prole numerosa: os gritos eram terminantemente proibidos. À medida que a vontade de cada criança se manifestava, era objeto de atenção especial. Susana dizia: "Se desejais formar o caráter dos vossos filhos a primeira coisa a ser feita é dominar a sua vontade". Poucas mães têm sido tão bem-sucedidas nessa tarefa tão difícil. Seus métodos normais eram a doçura e a persuasão; mas não vacilava em impor castigos quando julgava necessários. Sabendo, por outro lado, que "o medo do castigo é, entre as crianças, frequentemente a causa da mentira", tinha o costume de lhes perdoar as faltas sempre quando as confessavam. Foram esse os princípios que a orientaram no exercício de sua autoridade muito energética, porém temperada com o mais intenso amor materno. 


Para a educação dos filhos também havia regras igualmente inalteráveis. Não permitia, por exemplo, sob nenhum pretexto, que uma criança aprendesse a ler antes de completar cinco anos; norma excelente, cujo objetivo era evitar a canseira de um intelecto que ainda estava se desenvolvendo. Por outro lado, o dia seguinte ao quinto aniversário era memorável na história da família: então, as aulas começavam com toda seriedade, e o novo aluno passava seis horas na sala de aula, e no fim desse período devia conhecer perfeitamente o alfabeto. Esse breve tempo quase sempre revelava ser suficiente. Na segunda lição, e com a Bíblia aberta, a criança aprendia a decifrar as letras do sublime capítulo primeiro de Gênesis. A mãe afirmava que, no fim de três meses desse exercício, seus filhos sabiam ler tão corretamente quanto muitas pessoas consideradas boas leitoras. Para obter esses resultados, não se poupava esforço algum. Seu esposo disse certo dia: "Acho admirável a sua paciência porque você repetiu a mesma coisa nos ouvidos dessa criança nada menos do que vinte vezes". Ela respondeu: "Teria perdido o meu tempo, se tivesse repetido somente dezenove, pois foi só na vigésima vez que cumpri o meu objetivo".

Susana Wesley era uma cristã fervorosa, para quem o crescimento espiritual dos filhos era ainda mais importante do que seus progressos intelectuais. Ela os instruía nas Sagradas Escrituras desde os primeiros anos de vida e ensinava-lhes orações singelas após começarem a balbuciar algumas palavras. Ela mesma se encarregou da primeira instrução religiosa dos filhos e elaborou uma espécie de manual que compôs visando a esse propósito. Com toda regularidade, dedicava uma ou duas horas por semana a uma conversa particular com cada um deles: a entrevistinha era de total intimidade e induzia as crianças a abrir o coração de tal maneira que a mãe pudesse seguir facilmente o percurso dos seus pensamentos. Esses diálogos exerceram tanta influência em seu filho João, que vinte anos mais tarde, em uma carta que lhe escreveu, fala deles com o máximo reconhecimento e pede que ela lhe dedique a tarde de quinta-feira, conforme fazia anteriormente. Susana também tinha zelo pela evangelização. Em certa época ela começou uma série de cultos familiares todos os domingos à tarde na sua cozinha. Sua ideia original era limitá-los às crianças e aos criados, mas dentro de bem pouco tempo os vizinhos pediram licença para assistir, e o numero de pessoas ali reunidas chegou a duzentos.

Susana exercia grande influência sobre seus filhos, mesmo quando adultos. Em várias cartas trocadas entre eles, podemos observar o respeito que eles tinham pelos conselhos da mãe. Ela foi uma adepta fervorosa do Metodismo, e apoiou com toda força a obra exercida por João e Carlos. O 23 de julho de 1742 foi o seu último dia de vida. João Wesley que foi chamado de Londres para acompanhar sua mãe em seus últimos momentos de vida terrena, relata: "Encontrei minha mãe às portas da eternidade, mas ela não tinha dúvidas nem temores, nem desejo algum, a não ser (tão logo Deus a chamasse) partir e estar com Cristo". Um pouco antes de morrer, ela disse aos seus filhos, reunidos em redor de sua cama: "Meus filhos, tão logo eu tiver sido posta em liberdade, cantem um salmo de louvor a Deus". E assim fizeram, com efeito, e um cântico de louvores entoado por vozes misturadas com soluços escutava-se naquele quarto onde a alma de Susana Wesley havia levantado seu vôo às regiões celestiais.


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Espero que você tenha sido tão inspirado e edificado ao ler a história dessa mulher tão piedosa, quanto eu fui.


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[Este texto é uma adaptação da resenha feita por Mateo Lelièvre sobre a vida de Susana Wesley em sua obra "Juan Wesley: su vida y obra"; traduzida em português por Gordon Chown e publicada pela Editora Vida.]


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