Um dia de cada vez


Tudo quanto existe nas sociedades contemporâneas revela evolução. O Homem evoluiu, a tecnologia evoluiu, enfim…, o mundo evoluiu. Tudo isso facilitou e simplificou bastante o modo como nos mantemos em contacto, como recebemos respostas imediatas e notícias importantes. Ou seja, na sociedade em que estamos inseridos há sempre vantagem e rapidez nas informações a receber e nas decisões a tomar. Mas, tenho cá para mim que isso não está a ser bem discernido por nós. Digo isto, por saber que nos tornámos pessoas muito centradas no próprio umbigo e (demasiado) imediatas. Infelizmente, diante de tamanho avanço, o que noto é que o ser humano se esqueceu que precisava também evoluir na maneira como deve lidar e vivenciar as suas emoções.

Devo vos confessar que sou uma pessoa ansiosa. E, nos dias que correm, tenho observado o quanto somos motivados por resultados e louvores que, consequentemente, eles trazem consigo. Temos perdido a noção do quão impacientes e egoístas nos estamos a tornar dia-após-dia. E, sem qualquer intenção, começamos a duvidar daquilo que Deus pode fazer nas nossas vidas e a deixar de ver o tempo como um amigo.

Na verdade, acredito na importância de correr atrás dos nossos objectivos e de não estarmos parados, contudo – como dizia uma grande amiga – tem que existir em nós o esforço para descansarmos em Deus.

Demasiado imediatistas

Preciso analisar este ponto, pois vejo expresso como as circunstâncias ao nosso redor podem dificultar mais a visão de algo sobrenatural que Deus quer fazer por nós ou em nós. As situações que atravessamos, os momentos repentinos que vivemos e as dificuldades que nos aparecem fazem-nos exasperar, esmorecer e perder a visão da nossa vocação, a visão de quem somos e o que fazemos aqui (não necessariamente nesta ordem). E, para piorar a situação, a nossa mente começa a dar gás a todo o custo e não pára de pensar, não pára de imaginar e de nos fazer sofrer por antecipação.

Assim como as situações e as dificuldades aparecem de modo imediato queremos também respostas e acções divinas imediatas! Ou, por termos um desejo tão grande e sincero no nosso coração, queremos que ele se realize o mais rápido possível. E aqui cometemos o primeiro erro: de atribuir toda a responsabilidade para Deus e ficar angustiadamente à espera que algo caia do céu!

No fundo, só queremos ver a ansiedade e a exasperação, que existe em nós, resolvida o mais depressa possível. E, assim, ansiamos pelo resultado, queremos a acção e desprezamos o processo de amadurecimento, alimento para a alma e espírito, desprezando também o significado do propósito que há nas nossas vidas. Depressa esquecemos o propósito e palavras entregues da parte de Deus que outrora preencheram o nosso coração! E, assim, cometemos o segundo erro: agimos e vivemos por emoção e não por fé. Pois sendo justos, deveríamos andar por fé, pela convicção daquilo que não se vê mas que se espera.

Porém, há que ressaltar, que muitos casos de ansiedade e de sofrer por antecipação ocorrem porque a pessoa não sabe como lidar com as emoções e não permite que as mesmas sejam disciplinadas. O modo frenético como vivemos actualmente está a fazer de nós pessoas sem perspectiva e totalmente automáticas não dando espaço para discernir o que se passa na alma.

O que diz a Bíblia…

No capítulo 28 de Provérbios, o versículo 26 vem nos instruir que, andando em sabedoria estamos seguros. E, quem mais sábio é senão Deus? Não saberá Ele – melhor que ninguém – o que é melhor e mais adequado para nós? Tudo isto, com a visão de nos tornar íntegros e irrepreensíveis para o propósito ao qual fomos chamados. Sendo assim, vamos começar por nos sentir seguros, concluíndo que não estamos parados e que estamos atentos às “placas sinalizadoras” do rumo que devemos seguir e das etapas a alcançar. De modo que, não nos deixamos levar por pensamentos exaustivos, emoções dolorosas e atitudes ansiosas. Mas estamos a usar a sabedoria que Ele nos dá (basta pedir) para que as nossas emoções sejam totalmente submetidas à acção do Espírito Santo.

Aqui, também se aplica a dependência em Deus, onde somos ensinados no dia-a-dia que viver assim é o único risco a correr que nos trará certezas. A necessidade do imediato, além de nos deixar ansiosos e duvidosos quanto ao cumprimento das promessas outrora feitas, ainda nos revela que estamos inconscientemente dispostos a sofrer consequências. Consequências essas, totalmente desnecessárias e que se não soubermos parar para ouvir a voz de Deus estamos a agir como tolos!

Está na hora de, simplesmente, desacelerar. Parar de não saber lidar com a nossa alma. Está na hora de aprender a viver um dia de cada vez, pois a vida que nos foi dada é uma dádiva. E ela precisa ser bem vivida, junto com Aquele que a deu.


   Ana Margarida, 24 anos e mora em Portugal. Formada em Ciência Política e Relações Internacionais. Escritora por vocação e paixão. Instagram

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