EU LI #57 | Coro Infante ao Pássaro, de Maiky da Silva

sexta-feira, abril 13, 2018

[Quando a memória vira poesia]

Eis o primeiro livro de poesias do escritor brasileiro Maiky Silva. Eis o surgimento de um artista! A aparição constante de cenas do cotidiano e lembranças de um passado distante, dão aos seus versos um tom auto biográfico intrigante. O leitor ao finalizar um poema é instigado ao próximo e ao próximo... na ânsia de saber mais sobre quem escreve. Porém, o que ocorre muitas vezes é o inverso: parece que quem descobre-nos é o poeta.

Sua própria arte, a transferência de palavras para o papel, também é um tema frequente no livro; o que é muito interessante, pois o tempo - passado e presente (raramente o futuro) - acaba oscilando dentro das poesias.

Coro Infante ao pássaro, integra um conjunto de três obras auto publicadas pelo autor na Amazon (em ebook):

Coro Infante ao pássaro  (poesia)

Risco Escuro Na Claridade: ou Cartas Que Não São Cartas (novela)

Na Fragilidade da Palma da Mão  (romance)

Como percebido fiquei encantada pela escrita do autor e as impressões dos demais livros devem aparecer em breve por aqui. Abaixo compartilho com vocês os quatro poemas que mais gostei e algumas fotos do Instagram do Maiky que também demonstra uma sensibilidade ao fotografar...

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Fardo

Ando, e outra casa faz-se comigo.
Carrego, porém,
raízes profundas nas costas.
Enraizadas saudades de casa,
enraizados desejos de real abrigada.
Mas sou como um viajante que carrega,
solitariamente,
uma amnésia indomesticável,
Como um viajante que carrega,
solitariamente,
um mapa que se apaga continuamente.
Porém,
a vida toda é um amontoado de nostalgias,
aqui ou lá. Aprendi.
Não se sai de onde nasce,
mas também se nasce em outro lugar.
E isto me consola.



Filho Adulto

Me perdoe.
Sei que muito me amou,
até que se enganou
na exigente lista que é amar.
E eu então, me engasguei.
E continuo engasgado.
É um espinho de peixe essa dor,
com esse gosto horrível apodrecido
dentro da minha boca.
Te perdoou sei bem o quê,
mas me perdoe também.
Sei lá o quê.

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Memória sem Corpo

Queria escrever algo bem bonito.
Algo que me enlaçasse no vento
e em um alento infinito.
Queria escrever algo tão bonito,
mas tão bonito, que emocionado,
rasgaria e jogaria ao fogo.
Para que tivesse aquilo
sempre único para mim.
Mas minha memória não é tão boa,
teima em tudo esquecer.
E se fosse embora aquela memória?
Então, melhor ainda seria,
pois seria apenas nostalgia,
memória sem corpo, só sentimento.
Vento, seria aquele específico vento...

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Os Lugares Secretos

Há lugares bonitos que nunca visitarei.
Em compensação, de mim nada eles terão.
Suas árvores e seus mares de mim nada terão,
nem um olhar. Nem o mais mísero verso.
Então, estamos quites.
Porque conhecer é romper segredos.
E eu guardo o segredo deles,
como eles guardam o meu.
Nunca os visitarei,
e eles nunca me visitarão.
Se tudo tem fim, então estamos na mesma:
Talvez tenha sempre a mesma forma,
a beleza.


***
+ Info: Título: Coro Infante ao Pássaro | Autor: Maiky da Silva | Publicação independente, 2018 | 95 páginas | Catalogação: Poesia

⧫ Fotos: Maiky da Silva (instagram)
 
Classificação: 4/5
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 Kelly Oliveira. Alcançada pela Graça de Deus em Jesus Cristo. Nasceu em São Paulo, mas ama morar em BH. Formada em Ciências Contábeis com Ênfase em Controladoria pela PUC/MG e escreve desde que se entende por gente. Café ♥ Livros ♥
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