DIÁRIO DE LEITURA | Celebração da Disciplina (capítulo 2 - A Disciplina da Meditação)


Esse diário de leitura segue 😊
Como dito no primeiro post, não defini um cronograma de datas para esse projeto. Conforme eu for relendo os capítulos, publicarei também os diários.

No primeiro capítulo Richard Foster aponta as disciplinas espirituais como o caminho da Graça para a liberdade cristã; mostra-nos os primeiros obstáculos e dificuldades que precisamos vencer para voltar ou começar a praticá-las. Bem como o propósito delas em nossas vidas, além de nos alertar do perigo de transformá-las em um conjunto de leis para o controle e manipulação de pessoas. – Deus nos chamou para a liberdade!

Nos capítulos seguintes, ele apresenta as disciplinas de forma detalhada, isso é, um capítulo dedicado a cada disciplina. A primeira é a meditação.


Capítulo 2 – A disciplina da meditação.


Primeiro, o que é meditação ou contemplação?


Tenho certeza que você percebe o quanto a nossa cultura é viciada na “pressa” e no “barulho”. Vivemos em um ritmo frenético de afazeres, atividades, compromissos; a maioria das pessoas sempre reclamam de falta de tempo. Foster já nos alertou no capítulo anterior sobre o mal da superficialidade na sociedade, e como isso nos afeta, inclusive em nossas vidas religiosas.

Agora, ele é enfático em dizer que se quisermos ir além disso, isso é, nos tornar pessoas profundas – que vivem em uma comunhão real com Jesus Cristo - precisamos estar dispostos a descer ao silêncio da contemplação/meditação, em outras palavras, separar momentos para focar toda a nossa atenção em Deus.


TESTEMUNHO BÍBLICO

A bíblia emprega duas palavras hebraicas para transmitir a ideia de meditação, que juntas são usadas 58 vezes. Ambas as palavras possuem diversos significados:

ouvir as palavras de Deus,
refletir nos feitos de Deus,
relembrar os atos divinos,
ponderar sobre a lei de Deus... e outros;

Em cada caso, a ênfase está na mudança de comportamento como resultado do encontro com o Deus vivo. Arrependimento e obediência são traços essenciais de qualquer conceito bíblico de meditação.

Os que vemos transitar pelas páginas da Bíblia conheciam os caminhos da meditação: “Certa tarde, [Isaque] saiu ao campo para meditar” (Gênesis 24:63); “[...] quando me lembrar de ti na minha cama e meditar em ti nas vigílias da noite” (Salmos 63:6). Os salmos praticamente cantam as meditações do povo de Deus a respeito de sua lei: “Fico acordado nas vigílias da noite, para meditar nas tuas promessas” (Salmos 119:148). O salmo que serve de introdução a todo o Saltério convida a que imitemos o “homem feliz” cuja “satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite”. (Salmos 1:2) (pg. 46)


OUVIR E OBEDECER

O autor define por “meditação cristã” a capacidade de ouvir a voz de Deus e obedecer à sua Palavra. Ele nos lembra de como o grandioso Deus do Universo, o criador de todas as coisas, deseja ter comunhão conosco. Adão e Eva conversavam com Deus no jardim do Éden, e Deus conversava com eles – havia comunhão entre eles. Então veio a Queda, e aconteceu uma ruptura do senso de comunhão perpétua, pois Adão e Eva se esconderam de Deus. Deus, no entanto, continuou em busca de seus filhos rebeldes. Nas histórias de pessoas como Caim, Abel, Noé e Abraão, vemos Deus falando e agindo, ensinando e orientando.

*
Nessa parte do livro, o autor fundamenta bem a disciplina cristã da meditação centralizando a sua argumentação na pessoa de Jesus Cristo. Para ele, o livro de Atos dos Apóstolos deixa claro que o Messias após ressurgir dos mortos e subir aos céus continuou “agindo e ensinando”, mesmo que as pessoas não conseguissem enxergá-lo a olho nu.

No livro de Atos, vemos o Cristo ressurreto e reinante, por meio do Espírito Santo, ensinando e guiando seus filhos: levando Filipe a culturas não alcançadas (Atos 8), revelando sua messianidade a Paulo (Atos 9), ensinando Pedro a respeito de seu nacionalismo judaico (Atos 10), guiando a Igreja para fora do cativeiro cultural (Atos 15). O que percebemos, em todas as ocasiões, é o povo de Deus aprendendo a viver orientado pela voz de Deus e pela obediência à sua palavra. (pg. 49)

Praticar a meditação bíblica então, é a forma de estar pronto a ouvir e obedecer à voz do Senhor Jesus Cristo, hoje e agora!


O PROPÓSITO DA MEDITAÇÃO

Foster entende que na Meditação desenvolvemos um relacionamento com Cristo, onde a Sua Onipresença, deixa de ser um dogma teológico e passa a ser uma realidade para nós. – O Emmanuel “Deus conosco!” 

E isso sem a banalização que vemos muito hoje por aí, como se o relacionamento entre nós e o Filho de Deus fosse algo, parafraseando o próprio autor, entre dois “camaradas”. Se pensarmos assim sobre a nossa comunhão com o Senhor, isso só indica o quão pouco o conhecemos.

A convicção da onipresença de Deus transforma a personalidade. Não há como manter uma comunhão diária com o nosso Senhor, com Ele nos guiando em todos os momentos à “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17) e continuar sendo as mesmas pessoas. – Ele nos transforma!


CONCEPÇÕES ERRÔNEAS ATÉ COMPREENSÍVEIS

Eu gostei muito dessa parte do capítulo, pois, eu era uma dessas pessoas que vinculavam a palavra “meditação” automaticamente às religiões orientais. Eis ai um cuidado do autor em abordar o tema.

Esse tópico é bem elaborado por ele, mas aqui eu vou me deter a somente compartilhar um trecho, que já resume bem a ideia. Caso você queira saber mais recomendo que leia o livro ;)

A meditação oriental é uma tentativa de esvaziar a mente; a meditação cristã é uma tentativa de preenchê-la. São conceitos bem diferentes. (pg.51)


DESEJANDO A VOZ VIVA DE DEUS

Só sentar-se e pensar em Deus
Ah, que júbilo isso dá!
Pensar o pensamento, o Nome respirar,
Na terra maior bem-aventurança não há.¹

Há momentos em que tudo dentro de nós deseja vivenciar a citação acima, porém a nossa reação mais comum quando pensamos em tirar alguns minutos (ou horas) para meditar, é a inércia espiritual, frieza e a total falta de desejo.

O autor aponta como um dos motivos dessa dificuldade a tendência perpétua que os seres humanos têm de arrumar terceiros para falar com Deus em seu lugar.

Passeando na bíblia, entre os israelitas no tempo de Samuel quando o povo clamou por um rei humano; ou quando o mesmo povo pediu a Moisés que ele falasse com Deus e depois contasse a eles o que Ele tinha dito. Foster nos confronta com a nossa busca por mediadores humanos.

Esquivamo-nos de ir a Deus por nós mesmos.

É por isso que a meditação nos parece algo tão difícil. A meditação cristã nos convida, com ousadia, a entrar na presença viva de Deus sem nenhum intermediário.

Podemos fazer isso. Podemos ir a Deus pela fé em Jesus Cristo, o único Mediador, crucificado e ressurgido ao terceiro dia.


AS FORMAS DE MEDITAÇÃO

Para Foster, o desejo de se voltar para Deus é uma dádiva da Graça. Apesar de deixar algumas orientações e exercícios práticos da meditação cristã, ele esclarece que não existem métodos ou leis. Existe o que a escritura nos orienta:

ouvir as palavras de Deus,
refletir nos feitos de Deus,
relembrar os atos divinos,
ponderar sobre a lei de Deus... e outros;

Recolher-se para um local e horário onde seja possível encontrar silêncio e a disciplina para o maior êxito disso, é conosco.

Dentre os aspectos práticos que ele menciona o que achei mais interessante foi o que é dito em relação às escrituras, eis o trecho:

Enquanto o estudo das Escrituras gira em torno da exegese, a meditação procura internalizar a passagem e torná-la pessoal. A Palavra escrita torna-se palavra viva dirigida a você. Não é o momento de estudos técnicos, de análise ou mesmo de juntar material para compartilhar com algum grupo. Deixe de lado todas as tendências à arrogância e, com coração humilde, receba a palavra dirigida a você. Creio que ficar de joelhos é especialmente apropriado nesse momento em particular. Dietrich Bonhoeffer diz: "Assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas as aceita como lhe são ditas, aceite a Palavra das Escrituras e guarde-as no coração, como fez Maria. É só isso. Isso é meditação." (pg.61)

***

Há mais coisas sobre o tema no capítulo, mas creio que já mencionei as suas pérolas. Espero que você tenha sido tão abençoando por esse conteúdo como eu fui.

Até o próximo post!



https://dicionariodoaurelio.com/
¹ Frederick W. Faber 

⃗ Principais referências do capítulo
- Tomás de Kempis, em “A imitação de Cristo”
- Dietrich Bonhoeffer, em “The Way to Freedom”
- Thomas Merton, em “Contemplative Prayer”
- W.A.Tozer, em “The Knowledge of the Holy”

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