A revolução dos bichos, de George Orwell



Por Danilo Briano:

Escrito por George Orwell, um jornalista nascido na Índia, que viveu na Inglaterra no começo do século 20, "A revolução dos bichos" é uma crítica ao regime autoritário do comunismo soviético.

A obra começa mostrando o cotidiano de uma fazenda no interior da Inglaterra, a relação do dono, Sr. Jones, e seus animais.

Os bichos não eram tratados com dignidade, sendo muitas vezes açoitados pelo seu dono e submetidos a viver em um celeiro sem conforto algum.

SOCIALISMO ANIMAL
Na página 12, há um dos ápices do livro, onde o porco Major líder dos bichos da fazenda faz um discurso (sim! Aqui os animais falam) bastante inflamado sobre a opressão do homem sobre os animais - uma alusão marxista do burguês sobre o proletário. Na sua fala, o porco cita um conceito bastante conhecido da teoria marxista que é a "Mais Valia", que significa segundo as palavras de Marx:
À diferença entre o valor final da mercadoria produzida e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho, que seria a base do lucro no sistema capitalista. [1].

Eis as palavras do Major:
Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos. Eis aí, camaradas, a resposta de todos os nossos problemas. Resume-se em uma só palavra - Homem.

Outro conceito importante citado na obra, é a introdução do conceito do animalismo, um protótipo do socialismo animal, onde os bichos seriam os donos dos meios de produção e não teriam "ninguém oprimindo-os".

A REVOLUÇÃO
Pouco antes de seu falecimento, Major suscita as seguintes palavras entre os bichos da fazenda: "Pouco mais tenho a dizer. Repito apenas: Lembrai-vos sempre do vosso dever de inimizade para com o homem..."

Encorajando uma rebelião que viria logo depois de sua morte, com as novas lideranças que surgiram no meio dos porcos, que foram Napoleão e Bola de Neve, uma alusão a Stálin e Trotski, respectivamente.

Esses porcos lideraram uma revolução contra o Sr.Jones e após uma intensa batalha conseguiram conquistar a fazenda para os animais.

ILUSÃO
Entretanto, após algum tempo, os porcos começaram a ter alguns privilégios em relação aos outros animais como o consumo de alimentos, tais como leite e maçã. Como justificativa para tal procedimento, o porta voz do animalismo, o porco Garganta deu as seguintes explicações:

O leite e a maçã (está provado pela ciência, camaradas) contêm substâncias absolutamente necessárias à saúde dos porcos. Nós, porcos, somos trabalhadores intelectuais. A organização e a direção desta granja dependem de nós.

Acontece um racha entre Bola de Neve e Napoleão, tendo como consequência a fuga dos bichos e a imputação de Bola de neve como traidor da pátria e inimigo da revolução, assim como aconteceu com a fuga de Trotski diante do Stalinismo.

A obra demonstra claramente a alienação da casta do poder, os porcos, diante dos outros animais, que passaram a aceitar todos os seus desmandos autoritários sem nenhum tipo de questionamento, pois todo o esforço feito era para "um bem maior". Um exemplo dessa doutrinação encontra-se na página 69. Eis as palavras do cavalo Sansão: "Se o camarada Napoleão diz, deve ter razão".

No decorrer do livro fica evidente a exploração dos porcos sobre os outros animais para a manutenção de um luxo exorbitante da cúpula do poder. Todo conceito de igualdade foi jogado no lixo e a situação dos bichos ficou ainda pior do que quando a fazenda era administrada pelo Sr. Jones. Em certo momento o burro Benjamim, o único que tinha uma visão pessimista sobre a estrutura de poder e uma melhora da vida dos bichos lê o único mandamento que restou para a égua Quitéria:

TODOS OS BICHOS SÃO IGUAIS, MAS

ALGUNS BICHOS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como já dito, a obra toda é uma grande crítica ao regime autoritário do comunismo soviético, que aponta dentre muitas coisas, o grande erro que é colocar esperanças em um sistema político. Uma advertência ao leitor para desconfiar de qualquer ideologia ou sistema político, pois a natureza humana tende a se agarrar no poder e se possível até massacrar seus pares para manter-se em uma posição confortável. Para quem é cristão, nossa esperança está em Cristo, e não em um sistema político, ideológico ou até religioso.


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+ Info: A revolução dos bichos, de George Orwell / São Paulo: Companhia das Letras, 2007 / 147 páginas

Classificação: ★★★★★
Grau de dificuldade: FÁCIL




[1] Marx, Karl: O Capital, Crítica da Economia Política. Livro I, várias edições (Civilização Brasileira/Bertrand Brasil e Abril Cultural); Teorias de Mais-Valia, ed. Civilização Brasileira/Bertrand Brasil.

*Créditos imagem capa: aqui

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Danilo Briano, 31 anos, casado com Vânia, membro da igreja presbiteriana comunidade da aliança. Alguém que ama leitura, uma boa conversa e ama aprender coisas novas. Autores favoritos: C.S.Lewis, Spurgeon, John Piper.

2 comentários:

  1. Li a obra era um jovem estudante ainda, grande livro, inesquecível.
    Claro que Orwell teve como fito a ditadura comunista, mas também muitos dos defeitos apontados são comuns no mundo capitalista atual que pisa os mais pobres.

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  2. Verdade, Carlos!
    Existem distorções em todos os regimes, mas sem dúvidas o comunista foi o mais sanguinário de todos, incluindo o nazismo

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