EU LI #35 | As Catacumbas de Roma, de Benjamin Scott

Li "As catacumbas de Roma" pela primeira vez há 7 anos atrás e resolvi reler esse ano. Acho a experiência da releitura de um bom livro sempre gratificante e, nesse caso específico foi mesmo assim. Essa obra além de bem escrita oferece um conteúdo valioso a respeito da história do cristianismo, assunto que sempre me traz boas reflexões.

Sobre o autor não encontrei muitas informações, o que é possível saber é que ele foi um erudito historiador e publicou "As catacumbas de Roma" em 1957.
  

Em um estilo condensado (quando se diz muito com poucas palavras) Benjamin Scott se propõe nessa obra a refutar a igreja ou sistema Católico Romano (o autor inclusive se recusa a usar o termo "igreja" para tal) demonstrando sua paganização e distância do verdadeiro cristianismo, através dos registros deixados pelos primeiros cristãos nas catacumbas de Roma. Nesse intuito, ele argumenta a partir do contexto histórico de Augusto 63 A.C (fim de uma era sem o cristianismo), passando pela obra de Cristo e seus efeitos sobre o mundo, levando-nos até a instituição da Igreja Romana. Adianto aqui, que essa grande extensão temporal que o livro compreende, ainda que brevemente em alguns pontos, é o aspecto que mais gostei, que faz [em minha opinião] o livro tão interessante e recomendável a todo cristão. 

Falando um pouco das "Catacumbas de Roma" título da obra, são antigos cemitérios subterrâneos usados por algum tempo pelos cristãos primitivos e alguns judeus de Roma, não só para sepultar seus mortos, mas como lugar de refúgio em tempos de perseguição. Segundo o autor é difícil calcular o número exato de suas sepulturas, alguns falam em sete milhões, sendo ainda maior o número de monumentos, inscrições, registros, símbolos etc; deixados como pistas ou provas históricas do cristianismo dos três primeiros séculos.

Sobre o Paganismo, o primeiro e segundo capítulos são dedicados ao tema e são muito bons. O autor repassa bem a ideia de como eram as coisas nesse período totalmente dominado por sua influência sem cometer excessos que chocariam o leitor, já que a era pagã é até difícil de descrever devido a tantas atrocidades cometidas pelos seres humanos. Ainda nesse ponto, achei bem relevantes os comentários do autor sobre a condição da mulher e das crianças nessa era.

Enquanto lia foi impossível não constatar a ignorância de algumas pessoas de nossa época - e de outras também - que enquanto inimigas militantes do cristianismo acham que estão lutando pelos direitos das mulheres e crianças.

A mulher era definida pelas leis de Roma, não como pessoa, mas como coisa e, se faltasse o título da sua posse, poderia reclamar-se como quaisquer móveis. Era tratada como escrava do homem e não como sua companheira e amiga; era comprada, vendida, trocada, desposada, casada, divorciada e separada de seus filhos, sem seu consentimento; sem misericórdia, à vontade do capricho do seu senhor. Ele podia legalmente matá-la, ainda que fosse por ter provado o seu vinho ou por ter usado sua chaves. - Gibbon, Plínio e Plutarco citados pelo autor.

Em toda parte a mulher era considerada como inferior ao homem. No Hindustão, na China e nos mares do sul, por essa razão, ainda se destroem crianças do sexo feminino. Em Bengala suspendiam as meninas recém-nascidas nos ramos das árvores em cestas, e assim pereciam comidas pelas formigas, moscas, e aves de rapina. Tal era a condição do sexo feminino na infância. Se sobrevivesse a mulher era levada a um ínfimo ponto.

Os valores morais ensinados pelo cristianismo elevaram a condição humana de uma maneira geral, mas principalmente da mulher, nas palavras do autor "a mulher só teve a ganhar desde que foi libertada pelo cristianismo" [frase polêmica 😏]. Uma simples análise, talvez não a mais adequada, em que é possível constatar esse fato, é a observação de quais são as condições da mulher em países alcançados pelo cristianismo e entre os não alcançados ou sob sua influência.

Quanto a refutação da igreja Romana, é feita de uma maneira veemente, um ponto que creio que não vá agradar a todos. Mas mesmo para quem não concorde com os argumentos do autor vale a leitura - enfatizando mais uma vez - pelo conteúdo histórico que ele levanta.

Termino recomendando a obra, considero esse livro um clássico cristão pela sua atemporalidade, já são quase 60 anos desde sua primeira publicação e a obra continua relevante. O livro conta ainda com uma vasta bibliografia para quem quer continuar lendo sobre o assunto.

Leia mais 😊

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+ Info: As Catacumbas de Roma, de Benjamin Scott, 1957 / Rio de janeiro: CPAD, 2014, 175p. 

★★
Dificuldade: MÉDIO






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