EU LI #23 | Na pele de Uma Jihadista, de Anna Erelle


Entre as leituras que realmente quero fazer - ou entre as leituras que planejei fazer - sempre acabo encaixando uma totalmente aleatória >_<. É o caso desse livro. Em uma visitinha no site da Amazon li o título, a sinopse, me interessei e click, comprei o e-book. Mas que bom, dessa vez eu acertei na escolha ^_^.

Na pele de Uma Jihadista foi publicado no Brasil em 2015 pela editora Paralela, a autora é uma jornalista francesa que escreve sob o pseudônimo "Anna Erelle"; que trabalhou durante muitos anos acompanhando os movimentos do Islã radical, estudando principalmente o fenômeno que vêm acontecendo na Europa (e em outros lugares), o alistamento de jovens ocidentais nos exércitos islâmicos. 

Examinando especificamente os hábitos desses jihadistas europeus do EI (Estado Islâmico) ela tentou compreender o que faz esses jovens se apropriarem dessa causa e abandonarem seu país, família, conforto.. tudo para ir matar e desafiar a morte. 


"...o termo "jihadista" tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos. Os jihadistas são os violentos."¹

Anna descreve como conseguiu informações importantes, inclusive com os próprios familiares desses jovens, mas enfrentava sérias dificuldades para publicar seus artigos, pois havia sempre muitas ameaças e perigos que envolviam terceiros. E já meio frustrada com isso e meio ao acaso [pelo menos é o que ela diz] através de um perfil alternativo [falso] no Facebook chamado "Mélodie" ela entra em contato com "Abu Bilel" um perigoso terrorista do EI, se passando por uma jovem francesa de 20 anos recém convertida ao Islã. O terrorista já no primeiro contato com "Mélodie" começa assedia-la a largar tudo e ir para a Síria. Ela por trás daquele perfil falso se depara então, com uma oportunidade única de investigar esse fenômeno mais de perto e decidi ir adiante nessas conversas com Abu Bilel. Do Facebook eles passam para conversas em vídeo pelo Skype, e ela conta como para resguardar-se chega a usar um hijab (conjunto de vestimentas da doutrina islâmica) nessas conversas.

Juntamente com outro jornalista, ela filma e documenta todo o contato com Abu Bilel, na intenção de publicar um super artigo em um dos jornais em que trabalhava.

Um hijab só revela o contorno do rosto sem deixar aparecer uma mecha sequer de cabelo.²

O livro retrata como as redes sociais - principalmente Youtube, Facebook e Skype - se tornaram as armas preferidas do Daesh (acrônimo árabe para a Organização Estado Islâmico). Veja o comentário de Anna sobre isso:

"... a organização terrorista opera usando sua arma de guerra favorita: a propaganda digital. A imagem antiquada dos talibãs vivendo como ermitões nas grutas afegãs limitava, até então, as vocações. Já a comunicação dos novos soldados 2.0 do jihad acerta o alvo. Inundando o Youtube com vídeos ultraviolentos, o Estado Islâmico impressiona milhares de ocidentais lobotomizados pela velocidade de ação e execução de suas ameaças. [...] Ávidos de reconhecimento, a maioria vai para a linha de frente com a ambição de postar na internet um foto sua de uniforme de soldado. Lá, terão uma importância inequívoca e ainda por cima o direito de exibi-la no Twitter ou no Facebook. Esses garotos tornam incrivelmente acertada e premonitória a célebre frase pronunciada em 1968 por Andy Warhol: "No futuro, todos terão direito a quinze minutos de fama mundial." [grifo meu]
Acompanhamos a história de "Mélodie" desde o início das conversas pelas redes sociais até o ponto em que ela marca o dia de ir para Síria encontrar-se com o terrorista. Se ela chega a ir ou não, você vai ter que ler pra saber ◠‿◠.

O assunto em si é muito interessante, o livro tem muitas informações a respeito de como funciona o recrutamento de jovens pelo EI, dos costumes dos jihadistas, da religião Islã, dos combates na Síria etc. A narrativa da jornalista é muito fluída, há certas descrições da vida pessoal dela que achei totalmente desnecessárias e cansativas, mas no geral a leitura é muito rápida e fácil. Recomendo para quem não sabe muito sobre o EI, mas tem interesse no assunto. Fiquei com vontade de ler mais sobre o tema, se você tiver alguma indicação de livro deixe nos comentários.

★★★★
Leitura fácil


Na pele de Uma Jihadista: uma história real de uma jornalista recrutada pelo Estado Islâmico
Autora: Anna Erelle
Editora: Paralela, 2015
Páginas: 208
Adicione: Skoob
Compre: Amazon



¹ Portal G1 "O que é o jihadismo?" consultado em 13 de maio de 2016 <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/o-que-e-o-jihadismo.html>
² Crédito Imagem: aqui



4 comentários:

  1. Kelly que resenha maravilhosa, fiquei curiosa para saber se ela foi ou não se encontrar com ele, mulher corajosa ela! Até o momento não sabia o significado da palavra jihadistas, sempre pensei que todos eram muito violentos no entando existem os mais perigosos.
    Nunca li um livro assim mas quem sabe nas minhas próximas aquisições vêm um desse.
    Um abraço.
    http://coisasdemulhercris.blogspot.com.br/

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    1. Olá Valdejane, obrigada :)
      Eu também não sabia o significado de "jihadista" e generalizava tudo, por isso achei essa leitura tão importante, ela me agregou conhecimento a respeito de um "realidade" que eu quase desconhecia. Recomendo!

      Bjim^^

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  2. Que mulher corajosa, embora tenha feito isso simplesmente por uma matéria. Tem outros casos, como os homens que se infiltravam no Estado Islâmico, para libertar as mulheres que estavam sendo escravas sexuais do do grupo terrorista. São pessoas realmente corajosas, e digo, talvez não teríamos conhecimento de tais coisas se não fosse por elas.

    Bjo Kelly

    Lyu Somah
    http://lyusomah.blogspot.com.br/

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    1. Corajosa mesmo Lyu! É possível dizer (sem dar spoiler do livro) que depois dessa matéria ela nunca mais pode viver uma vida normal :/

      Obrigada pela visita!
      Bjim

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